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    Encefalopatias Humanas Transmissiveis


    São conhecidas quatro Encefalopatias Humanas Transmissíveis (TSE): a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), o Kuru, a Doença de Gerstmann-Sträussler-Scheinker (DGSS), e a Insónia Familiar Fatal (FFI). Existe ainda o síndroma de Alpers, que é a terminologia utilizada quando estas doenças provocadas por priões afectam crianças.

    Estas doenças caracterizam-se por serem raras, com um longo período de incubação e invariavelmente fatais. As suas características neuropatológicas são as seguintes:

    • Vacuolização do citoplasma dos neurónios e das células gliais. Os vacúolos podem ter entre 20 e 200 micrómetros, embora possam ser ainda maiores nos casos em que ocorre a fusão de vacúolos.

    • Gliose, ie, crescimento exagerado das células gliais na ausência de inflamação.

    • Perda de neurónios

    • Formação de depósitos de PrP(sc) (insolúveis). Embora estes depósitos sejam um bom indicador da infecção priónica, não parecem ser uma causa importante da doença.

    • Degenerescência espontânea do parênquima cerebral

    • Alteração típica mas não patognómica

    • Perda de neurónios

    • Proliferação astrocitária reactiva

    • Todas as estruturas do sistema nervoso podem ser afectadas, embora haja um claro predomínio da substância cinzenta (córtex) do cérebro e do cerebelo e dos gânglios da base.

    O diagnóstico definitivo destas doenças só é possível após a morte do doente e tem por base critérios histopatológicos. Mas já existem critérios clínicos que permitem fazer um diagnóstico provável.
     

    Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD)

    A Doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) provoca demência progressiva de desenvolvimento rápido do tipo pré-senil, com deterioração intelectual. É acompanhada de tremores neurológicos complexos e está associada a um síndroma cerebeloso extrapiramidal e mioclonias (contracções musculares involuntárias) que resultam na morte, menos de um ano após o aparecimento de sintomatologia. Foi assim denominada por Spielmeyer em homenagem a dois patologistas alemães, Hans Gerhard Creutzfeldt e Adolf Jakob. Spielmeyer agrupou um caso de uma doente de 22 anos com um quadro neurológico complexo descrito por Creutzfeldt, com cinco casos semelhantes entre si, publicados por Jakob. Mais tarde, apenas dois destes cinco casos viriam a ser relacionados com a CJD.

    A incidência mundial de CJD é muito baixa (um caso em cada milhão de habitantes), conhecendo-se quatro tipos diferentes: a CJD esporádica, a CJD hereditária, a CJD iatrogénica (resultante de actos médicos) ou adquirida, e a variante da CJD.

    Ao longo do tempo, outros nomes que foram dados à CJD: encefalomielopatia disseminada, pseudoesclerose espástica, degeneração cortico-pálido-espinal, sindroma de Jakob, encefalopatia vascular subaguda, encefalopatia subaguda progressiva, etc.


    Forma esporádica da Doença de Creutzfeldt-Jakob

    A maioria dos casos de CJD (85-90%, de acordo com a OMS) surge de um modo aleatório e tem origem desconhecida, daí a sua designação como forma esporádica de CJD. Normalmente estes casos surgem em pacientes com um idade média de 65 anos que apresentam uma demência com uma progressão muito rápida, mioclonia e alterações características no electroencefalograma.O tempo médio da duração da doença é de 4,5 meses ao fim dos quais ocorre a morte.


    Forma hereditária da Doença de Creutzfeldt-Jakob

    A forma hereditária é, como o próprio nome indica, transmitida à descendência e representa 5-10% dos casos de CJD, de acordo com a OMS. Tem um carácter autossómico dominante, o que significa que só requer que uma das duas cópias dos genes priónicos (PRNP) humanos tenha uma mutação.


    Forma iatrogénica, ou adquirida, da Doença de Creutzfeldt-Jakob

    Determinados actos médicos parecem estar associados ao aparecimento de CJD adquirida. Nomeadamente, quando estes ocorrem com materiais ou medicamentos inadvertidamente contaminados com o prião anormal. Actos médicos que já foram implicados na transmissão desta forma de CJD foram a administração de hormona de crescimento (somatropina), de injecções de gonadotrofina, ou as aplicações de eléctrodos cerebrais de implantação directa, ou os transplantes de córnea e, eventualmente, algumas neurocirurgias. Esta forma de CJD representa menos de 5% dos casos (OMS).


    Variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD)

    A variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD) é uma doença que, tal como as outras doenças espongiformes transmissíveis, afecta o tecido nervoso. Caracteriza-se por provocar inicialmente sintomas psiquiátricos como a depressão, ansiedade e ideias delirantes e/ou alucinantes, seguindo-se um quadro com sintomas neurológicos que incluem a ataxia (perda da coordenação dos movimentos musculares), movimentos involuntários, perda de visão e peso e alterações cognitivas que evoluem para um aumento dos défices neurológicos e para o estabelecimento de um estado de demência. O mutismo acinético (ausência de linguagem oral sem que haja qualquer deficit motor que impeça a articulação das palavras) surge frequentemente nas fases finais, culminando na morte do paciente, que ocorre ao fim de um tempo médio de 14 meses após o aparecimento dos primeiros sintomas (mais extenso do que os 4,5 meses dos doentes com a forma esporádica de CJD). Ao contrário das outras formas de doença de Creutzfeldt-Jakob, que surgem essencialmente em pessoas com mais de 55 anos, esta variante atinge pessoas com uma idade média de 29 anos. Também a anatomia patológica destes doentes difere dos restantes: os grandes depósitos de proteína priónica rodeados de vacúolos encontram-se não só no tecido cerebral, o que também é característico das outras formas de CJD, mas também nos órgãos linfóides periféricos, o que permite distinguir esta forma da doença através de biópsias dos tecidos de origem linfóide, como as amígdalas, que assim revelam um resultado positivo para o agente da CJD, ao contrário do que acontece nas formas clássicas.

    As investigações sugeriram que a vCJD é provocada pelo mesmo agente causador da BSE. A probabilidade de contágio resultante da ingestão de materiais de risco especificado (MRE) infectados é determinada por uma predisposição genética e pela quantidade de MRE ingeridos. Esta predisposição genética parece estar relacionada com o codão 129 do gene que codifica a proteína priónica PrP. Todos os casos de vCJD conhecidos são homozigóticos para a metionina (as duas cópias dos genes são iguais), o aminoácido codificado por esse codão. As pessoas que são homozigóticas para valina nesse codão, ou as heterozigóticas parecem ser mais resistentes à infecção por priões, ou pelo menos apresentarão períodos de incubação maiores.

    O risco de contracção da doença por ingestão de músculo de bovinos é considerado ínfimo, uma vez que este praticamente não possui tecido nervoso, que já por si acarreta um risco muito baixo de transmissão da doença. O período de incubação da vCJD é variável, mas frequentemente está compreendido entre 9 e 13 anos.
     

    Kuru

    O Kuru foi descrito pela primeira vez por Vincent Zigas, em 1956. Era uma doença com elevada prevalência entre os membros da tribo Foré, um grupo cultural e linguístico cheio de costumes remanescentes da Idade da Pedra, que praticava rituais religiosos de canibalismo. Os vencedores dos combates entre tribos retiravam o encéfalo e algumas vísceras dos guerreiros e davam-nos a mulheres grávidas e lactentes, por crerem que com a sua ingestão herdariam as características do morto. Gajdusek juntou-se a Zigas na investigação, em 1957, e juntos verificaram que a doença parecia afectar predominantemente mulheres e crianças, o que os levou a associa-la aos rituais canibalescos. Também foi posta a hipótese de que os rituais de limpeza dos mortos, feita predominantemente por mulheres, também pudesse constituir um meio de transmissão. Kuru significava, na língua nativa, tremor e caracterizava-se por apresentar ataxia cerebelosa e tremores progressivos, resultando em morte ao fim de cerca de um ano, durante o qual ocorria uma deterioração neurológica profunda, mas sem clara demência. Os depósitos de PrP, denominados “placas de Kuru”, eram típicos. Desde de 1950, época em que se eliminaram as práticas de canibalismo, que não se observam casos desta doença.

    A etiologia da doença foi difícil de determinar. Em 1957 Klatzo sugeriu a Gajdusek que o Kuru tinha algumas semelhanças com a doença descrita por Creutzfeldt e Jakob e, em 1959, William Hadlow relacionou-o com o scrapie. Esta sugestão levou Gajdusek e seus colaboradores a usar o scrapie como modelo de estudo do Kuru, conseguindo a transmissão experimental desta doença.

     
    Doença de Gerstmann-Sträussler-Scheinker (DGSS)

    A Doença de Gerstmann-Sträussler-Scheinker (DGSS) é uma doença muito rara, predominantemente familiar, que se manifesta por perturbações da coordenação motora e do equilíbrio, movimentos involuntários e demência. Afecta essencialmente o cerebelo, a espinal-medula, o cérebro e os gânglios da base. O seu carácter hereditário foi demonstrado nos anos 60s, sabendo-se que o gene tem um carácter autossómico e dominante.

    Esta doença tem uma incidência cerca de 50 vezes inferior à CJD, de que se distingue por ter um decurso mais prolongado, podendo perdurar vários anos.

     
    Insónia Familiar Fatal (FFI)

    A Insónia Familiar Fatal (FFI- Fatal Familial Insomnia) é ainda mais rara do que a DGSS e manifesta-se através de perturbações como hipertensão arterial, taquicardia, hipertermia, entre outras perturbações autonómicas, perturbações do sono e do sistema motor e disfunções endócrinas. A estrutura mais atingida é o tálamo que sofre uma atrofia selectiva grave. 

     
    Síndroma de Alpers

    Síndroma de Alpers é a terminologia utilizada quando as doenças provocadas por priões atingem crianças

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