Home Contactos
  • Facebook
Logo ASAE
    Logo MinEconomia
    banner de topo

    Utilização de Plásticos no Microondas

    Utilização de Plásticos no Microondas

    Os plásticos utilizados em contacto com os alimentos, devem obedecer aos requisitos estabelecidos pela Comissão Europeia que definem os materiais plásticos autorizados e estabelecem limites globais de migração das substâncias componentes dos materiais para os alimentos. Estes requisitos baseiam-se em avaliações de riscos destes materiais, presentemente realizadas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que consideram a quantidade prevista da substância que migra para os alimentos e também a sua toxicidade.

    Os plásticos usados na embalagem são muito diversificados na sua estrutura química e apresentam propriedades variáveis em função do processamento, dos aditivos incorporados e da combinação com outros polímeros.

    Em termos gerais, o plástico é composto por hidrocarbonetos derivados do petróleo ou do gás natural, os polímeros ou resinas, que são moléculas de cadeia longa constituídas por monómeros ligados entre si. Os polímeros em si são materiais bastante inertes devido ao tamanho e estrutura, sendo insolúveis nos alimentos e portanto não constituem um perigo para o consumidor.

    No entanto na produção dos plásticos são usados diversos aditivos dependendo do tipo de polímero produzido. Estes aditivos incluem plasticizantes, antioxidantes, catalisadores, agentes emulsionantes, estabilizadores, inibidores da polimerização, pigmentos, etc.

    Do grupo dos aditivos, os plasticizantes (compostos usados para aumentar a flexibilidade de alguns materiais plásticos para embalagens) tem sido alvo de especial atenção. Estes aditivos, usados na produção de PVC flexível, podem baixar o ponto de fusão do material plástico, e muitos têm pontos de fusão relativamente baixo. Os plasticizantes podem estar presentes nos plásticos em quantidades importantes e têm o potencial de migrar para os alimentos que pode ser aumentado pelo calor, ou pela presença de alimentos nos quais estes aditivos se podem dissolver (por exemplo óleos, ácidos, álcoois).

    De uma perspectiva geral, as substâncias potencialmente contaminantes têm origem:

    1. no processo de polimerização, como os monómeros residuais e aditivos

    2. no processo de transformação, como tintas de impressão, solventes e adesivos de laminação

    3. ou são substâncias inadvertidamente formadas no processo de transformação por degradação do polímero

    A extensão do processo de migração depende de factores tais como: área de contacto, taxa de transferência, tipo de matéria plástica, temperatura e tempo de contacto.

    É do conhecimento geral que a migração aumenta a temperaturas elevadas, favorecendo a possível contaminação dos alimentos e modificando as suas características organolépticas. A difusão destes migrantes aumenta com a temperatura e adicionalmente são formadas substâncias resultantes da degradação do plástico. Tanto os componentes de grande peso molecular como os de menor podem ser degradados quando as embalagens são sujeitas a temperaturas elevadas, sendo que os compostos de degradação podem ter um carácter tóxico importante, embora os aditivos e as principais substancias e monómeros tenham sido autorizados.

    No microondas, em teoria, o período de aquecimento é normalmente muito curto (2-3 min.) no máximo da potência pelo que a condução de calor para o plástico resultante do contacto directo com os alimentos quentes é muito baixa. No entanto, a realidade não é muitas vezes assim, uma vez que os tempos de cozedura no micro-ondas chegam a atingir os 20 minutos.

    Estudos recentes relativos às temperaturas atingidas pelos plásticos no micro-ondas, demonstram que a maioria dos plásticos tais como o polipropileno (PP) e policarbonato(PC), (usados para microondas, por serem mais resistentes ao calor devido aos pontos de fusão elevados de 210º-230ºC) podem atingir temperaturas superiores a 90ºC após um período de aquecimento de 5 minutos Outros materiais plásticos como os polietilenos de alta densidade (HDPE) podem atingir mais de 100ºC.

    Em qualquer destas condições é obvio que muitos compostos voláteis e semi-voláteis são libertados dos plásticos e podem migrar para os alimentos. Os compostos voláteis libertados de recipientes de plástico detectados foram o metilbenzeno, etilbenzeno, 1-octeno, estireno, xileno e 1,4-diclorobenzeno, que são compostos reconhecidamente tóxicos.

    O processo de migração também é afectado qualitativa e quantitativamente pela a composição (nível e distribuição da água, gordura e sal) dos alimentos aquecido no micro-ondas. As matérias plásticas, devido à sua estrutura, têm uma maior afinidade pelas gorduras, pelo que a migração dos constituintes das embalagens plásticas tem maior probabilidade de ocorrer para alimentos gordos. Por outro lado as gorduras e os açúcares aquecem mais rapidamente que materiais como a água ou alimentos com alto teor de água, devido a terem uma capacidade térmica baixa.

    Os plasticizantes, como os ftalatos ou os adipatos, tem sido objecto de especial preocupação. Estes compostos surgem geralmente nas embalagens plásticas e nos filmes plásticos de PVC usados na embalagem de alimentos. Assim, verificou-se que estes plasticizantes foram detectados em alimentos em diversas situações de contacto do filme plástico com alimentos, especialmente para as gorduras como por exemplo o queijo, alimentos gordos ou óleos alimentares. Estudos sobre o efeito do aquecimento com micro-ondas sobre a migração de plasticizantes de filme e embalagens de plástico de cloreto de vinilo (PVC) demonstraram que estes aditivos migram para os alimentos, e designadamente em maior quantidade para as gorduras. Verificou-se também que a migração dependia do tempo de aquecimento, da potencia do equipamento e da concentração inicial do plasticizante.

    Estes factos justificaram a recomendações de não usar o filme plástico para cobrir ou envolver directamente os alimentos para processamento no micro-ondas.
     
    Efeitos para a saúde

    Os efeitos toxicológicos resultantes da exposição a estes compostos são de natureza crónica. As quantidades que potencialmente migram para os alimentos são vestigiais, as quais não causam uma reacção imediata, mas que a longo prazo podem produzir um efeito toxicológico cumulativo.

    Os compostos voláteis como o metilbenzeno, , estireno, xileno podem causar efeitos a nível do sistema nervoso central. Estudos em animais mostraram que podem causar toxicidade a nível da reprodução ou desenvolvimento.

    Não existem dados indicadores de que o metilbenzeno e o xileno sejam carcinogénicos para humanos.

    No que se refere ao estireno existe informação limitada de que tem acção carcinogénica no Homem.

    O diclorobenzeno pode produzir efeitos no fígado, rins e sangue, sendo possivelmente carcinogénico para o Homem.

    No entanto é importante referir que, trabalhos recentes provaram que as substancias libertadas a 100ºC não ultrapassam os limites estabelecidos na legislação, que se baseiam em valores de referência toxicológicos de modo a salvaguardar a saúde pública.

    No que se refere aos plasticizantes, estudos toxicológicos de ingestão com animais mostraram que os ftalatos afectam especialmente o fígado e também causam efeitos a nível do sistema reprodutivo. Note-se que estes compostos não estão classificados como mutagénicos e também a International Agency for Research on Câncer (IARC) classificou um dos ftalatos mais usados, o DEHP, como “não havendo evidências de que seja carcinogénico para humanos.

    É de realçar que a exposição por ingestão de alimentos estimada para os plasticizantes, nomeadamente vários ftalatos é inferior aos valores admissíveis em termos de segurança alimentar definidos por organismos internacionais (Comité Científico para a Alimentação Humana da CE-SCF, Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar-EFSA, Organização Mundial de Saúde-OMS, etc.). Os níveis destes compostos que poderão ser consumidos em resultado do processo de migração são em geral muito abaixo dos níveis para os quais não se verificam efeitos tóxicos nos estudos com animais.

    Finalmente é de referir que em estudos de toxicidade relativos ao consumo de alimentos cozinhados em micro-ondas em ratos não foram verificados efeitos nocivos, mesmo procedendo ao reaquecimento repetido dos alimentos. (ILSI, 1998).

    Para concluir interessa referir que, embora não existam evidências científicas de que as concentrações detectadas nos alimentos constituam um risco para a saúde humana, a exposição desnecessária a estes contaminantes deve ser evitada. Assim, é fundamental em termos de segurança alimentar usar sempre embalagens de plástico destinadas ao uso alimentar quando se pretende conservar alimentos.

    Para uso em microondas, as embalagens devem conter referências específicas para esta utilização.

     

    • Reg 765 + Medidas Restritivas
    • Denúcias
    • Livro de Reclamações
    • Asae Topics in Other Languages
    • BCFT
    • FISAAE
    • Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA)
    • Simplex
    • EEPLIANT 2
    66