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    Shigella disenteriae

    Shigella

    O género Shigella foi descoberto como sendo o responsável pela disenteria bacilar pelo microbiólogo japonês Kiyoshi Shiga em 1898. Shigella é uma bactéria do tracto intestinal humano cuja principal via de transmissão é a fecal-oral. A dose infecciosa é baixa (a ingestão de poucas dezenas de células é suficiente para causar a infecção), pelo que o seu crescimento em alimentos é pouco relevante. Assim, a incidência de shigelose é baixa quando comparada, por exemplo, com as incidências de salmonelose ou de campilobacteriose. Sendo uma infecção uma colonização de um organismo hospedeiro, os efeitos patogénicos de Shigella só se observam quando são ingeridas bactérias viáveis (i.e., capazes de se multiplicar).

    Características morfológicas e fisiológicas

    Shigella é uma bactéria Gram-negativa que pertence à família Enterobacteriaceae. As células têm a forma de bastonetes (bacilos) imóveis.

    Ao contrário do que tem acontecido com outras bactérias patogénicas, poucos investigadores se têm concentrado no estudo das condições de crescimento de Shigella em alimentos.

    Dos poucos trabalhos que se têm realizado, são aceites as seguintes condições para o seu crescimento e a sua sobrevivência:

    Temperatura
    As shigelas conseguem crescer em ambientes com temperaturas entre 10 e 45°C e têm uma temperatura óptima de crescimento (temperatura à qual a taxa específica de crescimento é máxima) de 37°C.
    As shigelas não se multiplicam à temperatura de refrigeração mas sobrevivem durante a refrigeração e a congelação.
    As shigelas são destruídas por pasteurização.

    pH
    As shigelas conseguem crescer em ambientes com valores de pH entre 5 e 8 mas sobrevivem por períodos de tempo curtos em alimentos com pH inferior a 4,5. 

    Actividade de água (aw)
    Vários estudos têm demonstrado que as shigelas sobrevivem por longos períodos em alimentos com baixa actividade da água, como a farinha.

    Relação com o oxigénio
    As shigelas são anaeróbias facultativas.

    Espécies de Shigella

    O género Shigella inclui as espécies Sh. dysenteriae, Sh. flexneri, Sh. boydii e Sh. sonnei. Todas as espécies são consideradas patogénicas para o Homem apesar de diferirem na severidade da infecção que causam. Embora Sh. dysenteriae seja a espécie responsável por surtos graves de disenteria bacilar em países tropicais, raramente é encontrada na Europa e na América do Norte onde Sh. sonnei é a espécie mais comum. Esta é a espécie que origina sintomas menos severos enquanto que a sintomatologia causada por Sh. flexneri e Sh. boydii pode ser considerada de severidade intermédia.

    Grupos de risco

    Qualquer pessoa é susceptível de contrair shigelose. No entanto, os sintomas são mais severos em idosos, em crianças e em indivíduos imunodeprimidos. Esta infecção é muito frequente nos indivíduos portadores de HIV.

    Principais fontes de contaminação

    Na maioria dos surtos de shigelose conhecidos, a principal fonte do microrganismo foi o manipulador. As águas contaminadas com fezes humanas e as moscas, em zonas em que os esgotos não são convenientemente protegidos, têm também sido referidas.

    Alimentos mais frequentemente associados a infecções por Shigella

    As saladas (batata, atum, camarão, e aves), os vegetais crus, o leite e derivados e as aves são os alimentos referidos com maior frequência. A contaminação destes alimentos ocorre principalmente através da via fecal-oral.

    Principais sintomas de infecção por Shigella

    O aparecimento dos sintomas surge entre 1 e 4 dias após a ingestão do alimento contaminado. A dose infecciosa é baixa, provavelmente inferior a 100 microrganismos. Os sintomas mais comuns incluem dores abdominais, vómitos, diarreia com muco e, por vezes, sangue nas fezes e febre. A evolução clínica de shigelose é normalmente favorável desaparecendo os sintomas entre 3 e 14 dias após ingestão do alimento contaminado. Alguns indivíduos continuam portadores assintomáticos da bactéria durante vários meses.
    As infecções causadas por Sh. dysenteriae são as mais severas e normalmente implicam o recurso à antibioterapia.

    Prevenção da contaminação

    A higiene pessoal, em particular a lavagem de mãos efectuada de forma adequada, é a principal estratégia de prevenção de shigelose. É de salientar a importância da educação das crianças para que adquiram práticas e hábitos de higiene correctos.

    Bibliografia

    CFSAN Bad Bug Book (http://vm.cfsan.fda.gov/~mow/chap19.html).

    ICMSF (1996) Shigella. Microorganisms in Foods, vol 5. Microbiological Specifications of Food Pathogens. Londres, Blackie Academic & Professional: 280-298.

    Suspiro A. and Menezes L. (1996) Surto de shigelose numa instituição para crianças em Queluz, Portugal–1995. Euro Surveillance 1(1):4-4.
     (http://www.eurosurveillance.org/em/v01n01/0101-423.asp?langue=04&)

    Escola Superior de Biotecnologia
    Universidade Católica
     

     

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