
Dióxido de enxofre (SO₂) (sulfitos) no vinho

O dióxido de enxofre (SO₂), vulgarmente conhecido como sulfitos, é um aditivo alimentar amplamente utilizado na produção de vinho devido às suas propriedades antioxidantes e antimicrobianas, desempenhando um papel fundamental na preservação da sua qualidade e estabilidade. Embora presente naturalmente durante o processo de fermentação, o SO₂ é frequentemente adicionado para proteger vinho contra a oxidação e o crescimento de microrganismos indesejados, garantindo a sua longevidade, cor e frescura. A sua utilização está sujeita a limites legais rigorosos, de forma a garantir a segurança do consumidor e a conformidade com a legislação alimentar.
Uma análise estatística realizada a 681 amostras de vinho, colhidas no âmbito do Plano Nacional de Colheita de Amostras (PNCA), entre 2020 e dezembro de 2025, analisadas pelo Laboratório de Segurança Alimentar da ASAE, permitiu avaliar os níveis de SO₂ total, presente em diferentes categorias de vinho.
Os resultados demonstraram que os vinhos brancos e rosados apresentaram a média mais elevada de SO₂ total (131,11 mg/l), seguidos dos vinhos espumantes (130,8 mg/l). Já os vinhos tintos e licorosos registaram médias inferiores, de 88,88 mg/l e 79,05 mg/l, respetivamente. Em todas as categorias, tanto os valores médios como as medianas se situaram abaixo dos limites legais aplicáveis.
Embora tenham sido observados alguns valores máximos superiores aos limites regulamentares de referência, estes casos foram considerados conformes por se enquadrarem dentro da incerteza associada ao método analítico utilizado.
De forma geral, os dados evidenciaram um elevado grau de conformidade dos vinhos analisados com os requisitos legais em vigor. As situações pontuais de valores mais elevados foram avaliadas individualmente, não comprometendo a conclusão global de que o setor apresenta um comportamento compatível com as normas de segurança alimentar e qualidade estabelecidas para o teor de dióxido de enxofre nos vinhos.
Tendo em conta os resultados obtidos, é possível concluir que a indústria vitivinícola tem margem técnica para reduzir os resíduos de dióxido de enxofre sem comprometer a qualidade do vinho, sobretudo porque já existe uma tendência do setor para baixar o uso de SO2 e para adotar práticas enológicas que permitem trabalhar com doses mais reduzidas. Os dados evidenciam que, na maioria das categorias, os teores apurados ficaram bastante abaixo dos limites legais, o que sugere que um ajuste é viável em condições normais de produção.
Uma redução progressiva dos limites legais pode ser acompanhada por melhorias no controlo da matéria-prima, no rigor higiénico, na proteção contra oxidação e no recurso a soluções microbiológicas e tecnológicas mais eficientes, que diminuem a necessidade de adição de SO2. Em termos práticos, isto significa que a indústria já dispõe de ferramentas para se adaptar, pelo que uma revisão em baixa dos limites pode ser encarada como exequível e alinhada com a evolução das práticas enológicas e com a preocupação crescente dos consumidores.
ASAEnews nº 134 - junho 2026

















